Trecho do Livro "Geração 70: Primavera de Sentimentos"
Via seu pai imerso nos livros de Ciências Humanas, lendo Schopenhauer, Nietchieze, Gramsci, Descartes, Foucault, Sartre e Beauvoir, estes dois que ele conhecera em Paris — “um casal adorável”!
Herdara do pai o grau dos óculos, mas da mãe uma certa encascadura de só falar bem pouco. Nas missas do domingo, era sempre o coroinha, mas aquilo já o estava cansado e nada dizia a mãe, cujo orgulho era o filho servir a Deus! O peso, talvez pelo qual Reinaldo afirmou sentir, não se dava de sua pasta de couro ou dos seus livros de aritmética, história ou química, mas dos pesos que sentia consigo em tentar ser o melhor filho do mundo. Talvez não precisasse, já que seus pais não lhe cobravam tanto assim, mas ele se cobrava e queria isso.
— Sim, bem pesado... primeiro dia, né, sempre assim, a gente não sabe o que será... — respondeu Hebert como se fosse Reinaldo.
— Sou o Hebert, e você?
— Prazer, Reinaldo... já estuda aqui? — perguntou o jovem cujos óculos sambavam na face.
— Não... mas já sinto como se estivesse indo pra um presidio!
Os dois riram. Mas, de repente, um tumulto. Do outro lado do jardim, dois garotos, um sardento e um outro de cabelos lisos pretos parecendo uma cuia, pegavam um dos cadernos de José. Jogavam para um lado e para o outro e se divertiam de modo jocoso, enquanto agrediam verbalmente o rapaz:
— Pega, pretinho!"
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